AUTISMO: Inclusão já!!!

A nossa sociedade atual passa por um processo onde os transtornos mentais, as síndromes e as doenças do neurodesenvolvimento estão cada dia mais comuns, despertando a necessidade de um olhar específico e urgente para medidas públicas, visando a inclusão.

O TEA, Transtorno do Espectro Autista, faz parte desses transtornos e interfere principalmente nas habilidades sociais e de comunicação. O desenvolvimento cognitivo e motor de cada criança autista, depende de fatores importantes tais como: o diagnóstico precoce, o histórico médico familiar, a existência ou não de comorbidades associadas, a investigação do período gestacional da mãe da criança e a troca de informações relevantes entre a equipe multidisciplinar. Esses fatores contribuem também para a inclusão social e escolar dessa criança.

É preciso conscientizar que educação especial não é inclusiva e que o fato do aluno autista estar inserido no meio ou simplesmente matriculado numa escola regular, não é inclusão. A inclusão vai muito além, tem que haver preparo dos profissionais, adaptação curricular e do ambiente escolar, envolvimento dos familiares e dos colegas de sala, propagação de informação, dentre outras coisas.

Atualmente há diversos cursos sobre educação inclusiva e até mesmo específicos sobre o TEA, que abordam justamente metodologias e didáticas a serem trabalhadas em sala de aula com a criança autista. Esses cursos preparam os profissionais para enfrentarem as diversidades no processo de inclusão, mas infelizmente, ainda são poucos os profissionais que tem acesso a eles.

Eu tenho uma filha autista e há 5 anos vivencio essa luta diária pela inclusão, o que eu percebi durante esses anos e ainda vejo muito hoje é que muitos profissionais e instituições não querem solucionar as questões que envolvem a inclusão e optam pelo caminho mais fácil, acabam sempre dando as mesmas desculpas como falar que um grupo atrapalha o outro e que a escola não possui recursos ou professores capacitados.

A inclusão gera gastos e necessita de muito trabalho porque cada criança tem uma necessidade diferente e alinhá-las para uma sala de aula demanda estudos, projetos, dedicação e tempo, o que numa sociedade imediatista como a nossa se torna cada vez mais difícil. Há a Lei n˚ 12.764 que estabelece a “Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista” mas faltam ainda políticas públicas de intensificação e fiscalização para que a mesma se cumpra de forma eficaz.

Lígia Wutke
Neuropsicopedagoga

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